O custo emocional da dupla e tripla jornada feminina
Por Aline Teixeira
A dupla e a tripla jornada são temas antigos, mas ainda tratados como se fossem escolhas individuais das mulheres, e não reflexo direto de desigualdades estruturais. A verdade é que, no Brasil, mesmo quando conquistam espaço no mercado de trabalho, as mulheres não deixam de ser vistas como principais responsáveis pelo cuidado da casa, dos filhos e da família. Isso cria uma sobrecarga que afeta profundamente a saúde mental e a qualidade de vida.
Uma mulher que trabalha oito horas por dia fora de casa raramente tem apenas esse compromisso. Ao chegar, ela inicia outra jornada: fazer jantar, organizar mochilas, supervisionar tarefas escolares, administrar conflitos, lavar roupa, arrumar a casa, planejar o dia seguinte. E, em muitos casos, ainda precisa cuidar de parentes idosos ou doentes. É uma rotina que se repete sem reconhecimento, sem remuneração e sem descanso.
O impacto emocional é imenso. O cansaço constante não é apenas físico: é mental e afetivo. As mulheres desenvolvem, em grande proporção, sintomas de ansiedade, irritabilidade, sensação de insuficiência e esgotamento. Não é à toa que elas lideram os índices de burnout no país. O problema não é falta de capacidade, é excesso de responsabilidade.
Essa desigualdade também aparece no ambiente profissional. A mulher que chega cansada do trabalho doméstico tem menos tempo para estudar, investir na carreira e participar de cursos ou eventos. Ela concorre com colegas que não enfrentam essas mesmas pressões. O resultado é claro: menos promoções, salários menores e uma sensação permanente de estar sempre “correndo atrás”.
É preciso compreender que essa carga não é fruto do acaso. Ela deriva de uma estrutura que distribui de maneira desigual o trabalho de cuidado. As políticas públicas brasileiras ainda carregam uma lógica ultrapassada que espera que as famílias resolvam tudo sozinhas. Sem creches suficientes, sem serviços de assistência, sem horários flexíveis e com transporte precário, sobra pouco espaço para que as mulheres tenham qualidade de vida.
Para enfrentar o problema, o país precisa adotar políticas que reconheçam o cuidado como responsabilidade coletiva: expansão de creches integrais, ampliação de licenças parentais compartilhadas, incentivo à divisão justa do trabalho doméstico, programas de apoio a mães solo e ações de educação desde a infância para romper estereótipos.
Sou Aline Teixeira, e defendo que nenhuma mulher deve carregar sozinha aquilo que deveria ser responsabilidade de toda a sociedade. Se você também acredita, me acompanhe nas redes sociais @alineteixeira.oficial.




