Sem vagas, sem salários e sem coletes: a falácia da Lei e Ordem em São Paulo
A crise na segurança pública em São Paulo tem revelado um cenário de descaso e
desmonte que atinge diretamente os policiais e a população.
Em abril, vieram à tona ordens internas que instituíram o revezamento de coletes à
prova de balas vencidos entre policiais militares em batalhões da capital e do interior.
Em Campinas, por exemplo, mais de 100 coletes expiraram em fevereiro, obrigando
PMs a dividir os poucos equipamentos dentro do prazo. “É absurdo colocar a vida de
quem protege a sociedade em risco por falta de planejamento”, denuncia o deputado
estadual Reis (PT-SP).
Investigador da Polícia Civil, Reis tem sido uma das vozes mais críticas na Assembleia
Legislativa contra o que chama de “sucateamento deliberado” das forças de segurança.
Ele denuncia o déficit de quase 15 mil policiais civis e peritos no estado, agravado por
aposentadorias que podem elevar esse número para 21 mil. “Enquanto o governo
anuncia cortes e centraliza o comando, delegacias fecham à noite, investigações param
e o crime avança”, alerta o parlamentar.
A situação dos coletes reflete problemas ainda maiores: a Justiça suspendeu uma
licitação de R$ 26 milhões para compra de novos equipamentos, ao identificar
cláusulas que restringiam a concorrência e excluíam fabricantes brasileiros. O resultado
é um atraso na reposição dos 15 mil coletes prometidos, deixando parte do efetivo sem
proteção básica.
Para Reis, a desvalorização também aparece nos salários: hoje, um policial civil
iniciante recebe algo entre R$ 3.000 e R$ 7.000, valor que ele considera incompatível
com os riscos da profissão. “São servidores adoecidos, mal pagos e sem estrutura.
Precisamos recompor salários, preencher vagas e investir em condições de trabalho”,
defende o deputado.
Apesar do agravamento da crise, o reajuste salarial anunciado pelo governador Tarcísio
em 2025 foi de apenas 5%, após um ano inteiro de 2024 sem nenhuma reposição para
os servidores da segurança pública. Para o deputado Reis, esse aumento simbólico é
mais uma demonstração do descaso do governo com quem enfrenta diariamente o
risco nas ruas.
Em sucessivos pronunciamentos na Alesp, Reis tem cobrado transparência nos gastos
da segurança. “Estamos vendo a segurança pública desmontada em nome de um
projeto de propaganda. Quem paga essa conta são os policiais na linha de frente e a
população, que fica refém do medo”, concluiu.










